O impacto do Coronavírus na Economia Mundial
- Marcos Vinícius Pereira

- 19 de fev. de 2023
- 3 min de leitura
Visto tudo o que está acontecendo pelo país e pelo mundo, devido ao coronavírus — uma tragédia global que todos enfrentam — o governo brasileiro divulgou que a projeção de crescimento esse ano, o PIB (Produto Interno Bruto), será de 0,02%. Por consequência disso, várias instituições financeiras já trabalham com projeção de retração da economia nacional e mundial, gerando grande preocupação dos empreendedores, investidores e trabalhadores.
Em entrevista à BBC, Angel Gurría, o secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a OCDE, afirmou que devido à pandemia, o surto econômico já é maior do que a crise financeira de 2008 ou a de 2001, após os ataques de 11 de setembro. Além disso, Gurría comentou que o coronavírus, além de ameaça para a economia, é uma “tragédia humana”.

Angel Gurría em discurso da OCDE (Foto: Estadão/divulgação)
É notório a necessidade de tomar uma medida urgente. Por isso, o secretário sugeriu que o governo implemente gastos públicos muito maiores para as empresas afetadas, para fortalecer a confiança do mercado e dos negócios imediatamente, além de dar apoio aos bancos com a finalidade de facilitar prazos de pagamento para empresas e famílias temporariamente.
De acordo com o site UOL Economia ,a OCDE considerou que os desafios do momento são muito impactantes para o mercado financeiro. “Os negócios são endividados e alavancados em níveis sem precedentes”, diz um trecho, apontando que o Brasil pode enfrentar um recuo na economia, assim como a greve dos caminhoneiros em 2018 e a crise financeira de 2008. Ainda de acordo com a OCDE, o mundo vai levar anos para se recuperar do impacto da pandemia do novo coronavírus. Desde janeiro, as análises sobre o impacto do surto na economia do Brasil apontam um cenário cada vez mais negativo, afetando diretamente na bolsa de valores.
As Bolsas de valores ao redor de todo o mundo estão em queda, sem previsão de um futuro promissor. Isso ocorre porque elas funcionam, em grande parte, baseadas em especulações, por conta do cenário de incertezas devido ao COVID-19. Com isso, muitos investidores tendem a ser pessimistas e vendem suas ações, com o objetivo de não perder tanto dinheiro.

Companhias aéreas com aparelho de verificação do vírus (Foto: Anadolu Agency/divulgação)
De forma geral, os investidores da bolsa reagem muito mal a instabilidades, especialmente se elas acontecerem em uma das maiores economias do mundo, na China, que acaba afetando diretamente todas as outras. A queda das bolsas na Europa e nos Estados Unidos foram bruscas, devido às ações que podem ser diretamente relacionadas à epidemia, como companhias aéreas e grandes empresas que dependem amplamente da China para produção.
Com a confirmação do primeiro caso no Brasil, a Bovespa (bolsa de valores de São Paulo) fechou em queda de 7% no dia 26 de fevereiro, sendo esse o pior desempenho desde maio de 2017.
Conforme surjam novas descobertas sobre o vírus e mais medidas de precaução forem tomadas, o cenário de incertezas deverá melhorar. Na China e na Coréia do Sul, onde o surto começou no início de dezembro, a situação parece estar controlada, sem o surgimento de novos casos. E apesar desse caos pelo mundo, estudos parecem indicar que o novo coronavírus é bem menos assustador do que outras doenças, como SARS (entre novembro de 2002 e julho de 2003) e H1N1 (a gripe suína, em 2009).
Hoje, o foco está sendo preservar a saúde da população e conter o impacto na economia dos países, De acordo com o podcast O Assunto, no mundo todo, governos estão anunciando pacotes de medidas econômicas para enfrentar a crise provocada pela pandemia do coronavírus. “Nos Estados Unidos, serão injetados US$ 1,8 trilhão para socorrer empresas e cidadãos. Na Alemanha, o governo prevê aporte de € 750 bilhões e no Reino Unido, o Estado irá bancar 80% do salário de milhares de trabalhadores.”

O Presidente Jair Bolsonaro em entrevista (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
Aqui no Brasil, o governo federal não apresentou um plano para a solução dessa crise. Em entrevista, o secretário de política econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, afirmou que a aprovação de medidas econômicas seria a melhor “vacina” para combater o coronavírus. Dias depois, o Ministro da economia, Paulo Guedes, anunciou um pacote econômico que injetaria R$ 143,4 bilhões na economia. Entre as medidas, uma ajuda mensal de R$ 200 para profissionais autônomos de baixa renda.
Mas, apesar dessas medidas tomadas, governo e presidente não estão unidos por essa causa, mostrando falta de comprometimento com o povo. O Ministério da Saúde pede para que as pessoas fiquem em casa em quarentena, enquanto o Presidente da República, Jair Bolsonaro, se pronuncia na mídia pedindo para o povo voltar ao normal, afirmando que isso é só um “resfriadinho”. As divergências de pensamento evidenciam que partes do governo não estão em sintonia, deixando claro que não há paz entre os principais mandatários do país.



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