JPP entrevista Eliseu Caetano: desafios e mudanças nas coberturas jornalísticas nos últimos anos
- Marcos Vinícius Pereira

- 21 de jan. de 2023
- 3 min de leitura
A década de 1950 do século XX é considerada o início da Era da Informação, quando novas tecnologias, transformações digitais e a internet foram surgindo gradativamente nos anos subsequentes, mudando o paradigma vigente até então, o industrial, para outro, o tecnológico.
O mundo sofreu um grande impacto com a chegada da internet e das novas tecnologias. Essas transformações ocorreram no setor de extração de matéria prima, nas indústrias, na venda de serviços e até na forma como a informação era repassada e consumida.

(Foto: Reprodução / Google Images)
A denominada Era da Informação também modificou a forma como nos relacionamos socialmente, principalmente com a criação das redes sociais (Facebook, WhatsApp, Twitter etc.), e estas também impactaram na circulação das notícias. Atualmente, quase todas as pessoas estão conectadas à internet e têm acesso rápido a informações que não eram absorvidas usualmente.
Desde o último século, o povo brasileiro estava acostumado com notícias, músicas e cultura nacional. Porém, com o processo de globalização promovido pelas novas tecnologias, novos gostos e costumes foram desenvolvidos, já que a população passou a ter contato com outras realidades.
Para falar um pouco sobre estas mudanças, a equipe do Jornal Ponto de Partida realizou uma entrevista virtual com Eliseu Caetano, ator e jornalista brasileiro, com mais de 15 anos de experiência, e passagens por diversas emissoras, como Rede TV, TV Brasil/EBC, SBT Rio e Rede Globo. Em 2016, Eliseu mudou-se para Boston, em Massachusetts, de onde presta serviços ao jornalismo da BandTV e também de onde nos concedeu a entrevista.

(Foto: Divulgação / Instagram)
Questionado sobre a percepção das notícias brasileiras nos Estados Unidos, Eliseu Caetano afirma que o espaço dado aos assuntos brasileiros nos noticiários americanos é muito pequeno.
Acredito que o espaço dado ao nosso noticiário é mínimo, principalmente se comparado com o que é notícia nos países latinos em geral, que até canal de TV em rede aberta possuem por essa banda do Atlântico. Os brasileiros que aqui vivem procuram se manter informados através dos veículos daí, sites e redes sociais, como o Facebook. Nossas TVs, como Globo, Record e Band ainda são exibidas somente em canais a cabo, com pagamento feito através de pacotes separados junto às operadoras. contou.
Perguntado sobre o momento de crise vivida no Brasil, devido não só à pandemia, mas também em relação à política e à economia, o jornalista afirma que “com a chegada da CNN, criando essa relação entre as Américas, os conteúdos brasileiros vêm aparecendo mais, com mais ênfase nos desdobramentos políticos e especialmente nas questões sobre a Amazônia”, esta última de grande interesse nos EUA, segundo Eliseu Caetano.
Para o jornalista os brasileiros “sempre consumiram notícias e produtos americanos”, isso não é de agora, mas o contrário não ocorre na mesma proporção. Entretanto, as redes sociais mudaram os hábitos de consumo de informações de um modo geral, o que acaba ampliando os temas recorrentes na imprensa mundial.
Eu cheguei em 2014 aos Estados Unidos, quando o Facebook ainda engatinhava, e vejo, passados seis anos, o quanto essa rede social, por exemplo, se tornou ferramenta de trabalho e de fonte primária de notícia. As fake news estão aí para provar isso. Enquanto isso os grandes, tradicionais, e reais veículos de comunicação ficam lutando para provar o que é verdade em meio à queda dos faturamentos de publicidade gigantesca, números perdidos para as novas redes sociais.
Encerrando a entrevista, o JPP perguntou a Eliseu como está a correspondência internacional em sua opinião, já que muitas emissoras fecharam seus escritórios em diversas capitais internacionais.
Quando eu cheguei aos EUA ainda tínhamos uma equipe com 4, 5 pessoas entre repórter, produtor, cinegrafista, auxiliar de iluminação, mas agora é só o repórter. Cinegrafista virou artigo de luxo. Somente em pautas específicas, longas, importantes, séries ou factual que tenha a necessidade. Fora isso, é celular no tripé, mochila nas costas e vai. Tá muito mais artesanal, rápido, moderno e enxuto. concluiu.



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